Eletroconvulsoterapia

A eletroconvulsoterapia

A eletroconvulsoterapia (ECT) é um procedimento terapêutico seguro e eficaz, referendado pela American Psychiatry Association (APA), pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), e pelos Conselhos Regional e Federal de Medicina. Consiste em aplicar estímulos elétricos na superfície do crânio, que geram despolarização no córtex cerebral. Os efeitos terapêuticos ocorrem a partir destes estímulos, e sua aplicação prática abrange indicações em diversas patologias neuro-psiquiátricas. O estimulo ocorre de acordo com determinadas frequências, duração, amplitude, e corrente elétrica que devem ser ajustadas para que a carga total possa ultrapassar o Iimiar convulsígeno. O número de sessões é variável dependendo da indicação, da tolerabilidade do paciente, e a resposta terapêutica. A origem desta técnica está no século XIX, nas observações de que pacientes com crises convulsivas tinham melhoras nos quadros psicóticos de base após estas. Desde então, estímulos químicos (Cardiazol e Cânfora) eram usados para induzir convulsões com finalidades terapêuticas. A idéia o uso de carga elétrica surge em 1938 com Cerletti & Bini. Ao longo de décadas, a ECT experimentou altos e baixos no seu desenvolvimento e aplicação, até que na década de 70 surge a técnica modificada, que vem sendo aprimorada até nossos dias. A técnica utilizada atende à normalização vigente no Brasil, do Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM 1.0/2002). A iniciativa de estruturar o serviço de ECT para pacientes internados e ambulatoriais baseia-se na eficácia do método em ambos os contextos. Para os paciente internados, a ECT torna-se um recurso poderoso no tratamento de patologias graves e de risco maior. Para os pacientes ambulatoriais, a ECT surge como um método que se agrega ao arsenal terapêutico que pode ser utilizado por seus respectivos médicos assistentes.

Histórico

A origem desta técnica está no século XIX, com Wagner-Jauregg em 1917 com a febre malárica. A maior parte dos relatos sobre Terapias Convulsivas nascem a partir do trabalho de Lasdilas J. Von Meduna em 1934. Neste, o autor relata suas experiências com Cânfora e Cardiazol. Porém este método encontrava limitações nos altos índices de efeitos colaterais e mortalidade. Em 1938 Cerletti & Bini relataram suas primeiras experiências com convulsões induzidas por corrente elétrica. Os resultados foram satisfatórios, o que tornou a ECT um método utilizado em toda a Europa. Observou-se já nesta época a possibilidade de tratamento ambulatorial de pacientes que antes só podiam ser tratados em regime hospitalar. Nos anos 50, com o desenvolvimento de drogas psicotrópicas, a ECT passou a ser menos utilizada, e inclusive criticada. Passou a ser considerado um método punitivo, cruel e desumano sendo rapidamente substituída quase totalmente pelos medicamentos. A partir dos anos 70 houve o desenvolvimento de recursos tecnológicos que tornaram a ECT mais segura e com menos efeitos colaterais. Surgiam aparelhos mais sofisticados, anestesia, ventilação e oxigenação, relaxamento muscular e monitorações sistemáticas dos parâmetros vitais e das crises convulsivas: surge a "técnica modificada". Ao longo das últimas décadas a ECT vem sendo estudada e desenvolvida, e novas diretrizes estabelecidas. Indicações mais precisas, e uso da técnica modificada tornam a ECT um recurso terapêutico seguro e eficaz, reconhecido pela comunidade científica, e que vem quebrando as importantes barreiras do preconceito ainda presentes.

Indicações e Contra-indicações

Conforme a Associação Psiquiátrica Americana (APA), a ECT é um tratamento de primeira escolha quando: há necessidade de uma melhora rápida e consistente os riscos de outros tratamentos são maiores do que os riscos da ECT existe uma história prévia de resposta pobre a drogas e/ou boa resposta prévia à ECT ou o paciente prefere esse tipo de tratamento. Ainda de acordo com a APA, os critérios para indicação de ECT como tratamento de segunda escolha são: ausência de resposta terapêutica adequada efeitos colaterais graves e inevitáveis ou maiores do que podem ser provocados pela ECT deterioração do quadro clínico psiquiátrico.

Outras importantes indicações de ECT

  • Mania Aguda;
  • Catatonia;
  • Transtornos mentais orgânicos;
  • Parkinson;
  • Epilepsia intratável;
  • Gestação e puerpério;
  • Síndrome neuroléptica maligna;
  • Psicoses e transtornos afetivos graves na população geriátrica.
Não há contra-indicações absolutas para ECT, mas há algumas situações especiais que representam contra-indicações relativas:

  • Lesões Cerebrais expansivas;
  • Hemorragia intracerebral recente, associada ou não a distúrbios de coagulação ou hipertensão arterial;
  • Aneurismas ou mal-formação vasculares cerebrais;
  • Coronariopatia Crônica;
  • Infarto agudo recente (6 meses);
  • Hipertensão descontrolada;
  • Glaucoma e deslocamento de retina;
  • Luxações e subluxações cervicais;
  • Feocromocitoma;
  • Uso de anticoagulantes orais.

Avaliação pré-ECT

a) Avaliação Psiquiátra: Cabe ao médico psiquiatra a avaliação e indicação do ECT ambulatorial. O encaminhamento será feito mediante o preenchimento do "Termo de Encaminhamento".
b) Avaliação Clínca: algumas condições clínicas podem aumentar o risco de complicações pós-ECT, ainda que não sejam contra-indicações absolutas ao procedimento.
Assim, diante de um paciente com indicação para ECT, será solicitada uma avaliação clínica na qual se procura identificar doenças concomitantes, as medicações em uso e estratificar os riscos. "Termo de Liberação do Médico Clínico" Laboratorialmente, as alterações como anemia, distúrbios da coagulação, hiperglicemia, hiper ou hipocalemia, alterações do eletrocardiograma e dos hormônios tiroidianos podem representar riscos ao procedimento.
Exames que podem ser utilizados para auxiliar no rastreamento dessas condições:

  • Hemograma completo.
  • Tempo de protrombina e tempo de tromboplastina parcialmente ativado.
  • Glicemia de jejum.
Bioquímica:
  • Sódio, potássio, uréia, creatinina, e enzimas hepáticas séricas.
  • Radiografia de tórax.
  • Eletrocardiograma.
  • Hormônios tireoidianos: T3, T4 e TSH.
  • Fundo de olho ou tomografia computadorizada de crânio.

Consentimento livre e esclarecido

Uma vez existindo a indicação para a ECT, a família deve ser consultada pelo médico do paciente e informada sobre a indicação, o procedimento, seus riscos e benefícios. Estando a família ciente e orientada a respeito do tratamento esta deverá assinar o termo dee consentimento livre e esclarecido.

Avaliação anestésica - realizada pelo serviço de ECT do Instituto Bairral.

Na literatura a mortalidade estimada é de 3 a 4 mortes a cada 100 mil sessões realizadas (0,004%), ou para cada 10 mil pacientes tratados. O risco maior do procedimento está relacionado aos portadores de cardiopatias graves, infarto do miocárdio recente e idosos. A mortalidade dos procedimentos anestésicos varia, segundo a literatura, de 0,0005% a 0,01%, o que faz da ECT um método seguro. As principais complicações da ECT são relacionadas à anestesia. Por isso, antes das sessões, será feita uma avaliação pelo anestesista do serviço, a fim de estratificar os riscos do procedimento segundo a classificação da Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA).

Agendamentos

Os agendamentos serão realizados através do telefone (19) 3863-9402 ou (19) 3863-9424, de segunda a sexta-feira das 8h00 às 17h00. Os familiares e o paciente deverão trazer na primeira sessão os termos preenchidos (Consentimento Livre e Esclarecido, Encaminhamento do Psiquiatras Liberação do Clínico) e resultados dos exames realizados.
Dúvidas e contato:
(19) 3863-9402 ou (19) 3863-9424 ou pelo e-mail: ect@bairral.com.br