Patologia em foco: Transtorno Afetivo Bipolar

9 anos atrás - Notícias, Eventos internos

O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) ou Transtorno Bipolar do Humor (TBH), até pouco tempo atrás denominado Psicose Maníaco – Depressiva (PMD), é um transtorno de humor caracterizado pela variação extrema do humor entre uma fase maníaca ou hipomaníaca (que são estágios diferentes pela graduação dos seus sintomas, hiperatividade física e mental) e uma fase de depressão (com ansiedade ou tristeza, inibição, lentidão para conceber e realizar ideias). É um transtorno do humor de longa duração, episódico, grave, e que, algumas vezes, pode cursar com sintomas psicóticos. Por se tratar de um transtorno crônico, com um curso muitas vezes imprevisível e de grande variabilidade tanto entre os pacientes quanto em um mesmo paciente, seus episódios recorrentes trazem impacto na vida do paciente, reduzindo seu funcionamento e sua qualidade de vida. O TAB é uma doença médica que coloca em risco a vida do paciente, seja pelo prejuízo da crítica com consequente “irresponsabilidade” e possibilidade de lesão física, seja pelo significativo aumento dos casos de suicídio entre os bipolares. Por ser uma doença caracterizada por episódios, fases de mania ou hipomania e de depressão alternados com períodos de remissão, exige tratamento contínuo, mesmo entre as fases (ou seja, com o paciente eutímico), o que pode dificultar a adesão à medicação. O tratamento precoce pode alterar o curso da doença. Sua interrupção pode ocasionar resistência a medicamentos e aumento do número de ciclagens. Portanto, o tratamento contínuo é essencial.

Na classificação do TAB temos: Tipo I: predomínio da fase maníaca com depressão mais leve. Em geral psicótico, com sintomas psicóticos incongruentes com o humor. Pacientes apresentam-se exaltados, com humor eufórico, falantes, eloquentes, com fuga de ideias, grandiosos, insones, exibem desinibição e indiscrições sexuais, realizam compras e gastos excessivos e desnecessários, podem liberar heteroagressividade verbal e/ou física, e estarem em estado de agitação psicomotora. No Instituto Bairral, geralmente esses pacientes são atendidos em setor de emergência (Núcleo de Terapia Intensiva) e, após, encaminhados à Vivenda. Tipo II: em geral não-psicótico, há predomínio da fase depressiva, com mania mais leve (hipomania). Tipo III: origina-se de um temperamento hipertímico, sobre o qual se instala um episódio depressivo. Essas “depressões” se apresentam em geral, com agitação, excitação sexual e pressão de discurso.

O TAB pode se manifestar em todas as fases da vida. Precisar a idade em que se iniciou torna-se um desafio, pois depende de dados de memória do paciente e seus familiares, depois que estes já estão familiarizados com as manifestações clinícas do TAB. Tradicionalmente era considerado raro na infância, mas o reconhecimento de sintomas na infância é cada vez mais frequente, e sua investigação vem trazendo novos dados de início, principalmente por estar associado à maior gravidade do quadro clínico, sobre resposta do tratamento e pior diagnóstico a longo prazo. O período de maior risco para o início dos sintomas pode se situar entre10 a30 anos de idade, com um pico de incidência entre as idades de 15 e 19 anos. Para as mulheres, pode haver um segundo pico de aumento na incidência, em torno de45 a50 anos. Início após os 60 anos é mais raro, e frequentemente associado a alterações orgânicas que implicam uma maior resistência aos tratamentos empregados. No TAB tipo I não há diferenças significativas entre os sexos. No TAB tipo II há uma relação de três mulheres afetadas para cada homem. Aparentemente, mulheres com TAB tipo II procuram mais tratamento que os homens. Existem diferenças entre sexos na apresentação do primeiro episódio, em que os sintomas maníacos são mais frequentes em homens, e os depressivos,em mulheres. Nãohá diferenças de prevalências entre grupos raciais. Há evidências de estudos em gêmeos e em famílias de que o TAB tem um componente hereditário, embora o modo de transmissão não tenha sido elucidado. Existe aumento significativo na frequência de TAB em parentes de primeiro grau de pacientes comparados com controles normais.

A comorbidade do TAB com outros transtornos psiquiátricos e com doenças clínicas é frequente e está associada à pior resposta a tratamento. Entre os transtornos psiquiátricos, o abuso ou a dependência de álcool e substâncias, os transtornos de personalidade, os transtornos ansiosos e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade são frequentemente apontados como complicadores da evolução e do prognóstico do TAB. Entre as doenças clínicas, a comorbidade com o hipotireoidismo tem importantes implicações, visto que é frequente (em função dos efeitos do lítio sobre a tireóide) e está relacionada à resistência ao tratamento medicamentoso.

No tratamento do TAB incluem-se diversos medicamentos conhecidos como estabilizadores de humor. O carbonato de lítio é o mais antigo e ainda em uso, e sua concentração no sangue precisa ser dosada periodicamente. Outros medicamentos como a carbamazepina, valproato, divalproato de sódio, lamotrigina, topiramato, olanzapina, quetiapina são utilizados isoladamente ouem associação. Osbenzodiazepínicos são comumente empregados em associação para obter a sedação. A eletroconvulsoterapia está indicada naqueles pacientes em que ocorre refratariedade ao uso de psicofarmácos e nos casos que apresentam risco de vida. No controle do TAB incluem-se: acompanhamento médico (psiquiatra) e psicológico; uso da medicação prescrita conforme orientação médica; restrição ao uso de álcool, drogas e cafeína; vida saudável com horas de sono suficientes e em horário regular, alimentação equilibrada e atividade física adequada.

Dra. Sueli - médica psiquiatra do setor Vivenda

Dra. Sueli Suzana de Souza Soares

Autora: Dra. Sueli Suzana de Souza Soares

Médica Psiquiatra do Instituto Bairral de Psiquiatria