Foto: Augusto Oazi

CEPAB, Será que temos evidência científica suficiente para afirmar que BDSM é apenas uma prática sexual variante?

3 anos atrás - Bastidores

No dia 7 de março o Centro de Estudos Psiquiátricos Américo Bairral (Cepab), uma das federadas paulistas da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), trouxe para discussão um tema atual e ainda bastante polêmico tanto no meio científico quanto entre leigos, ao retratar uma breve revisão sobre uma prática sexual conhecida como Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo (BDSM).

O encontro teve como palestrantes a médica psiquiatra Dra. Alessandra Diehl (preceptora da residência médica em psiquiatria do Instituto Bairral e atual presidente do Cepab) e o médico R3 em psiquiatria Dr. Paulo Roberto Santana. Os palestrantes explicaram que muito embora estas práticas sexuais tenham ganhado mais repercussão apenas nos últimos 15 ou 20 anos, é sabido que o Kama Sutra de Vatsyayana já as descrevia com tipos de tapas e de mordidas. BDSM também é descrito habitualmente nas artes da Idade Média e é o assunto de algumas das primeiras fotografias do século XIX. Os termos sadismo e masoquismo têm influência histórica e são “homenagens” aos escritores Marquês de Sade e Leopold von Sacher-Masoch. O Marques de Sade foi um filósofo francês que passou grande parte da vida preso e isolado devido às suas obras de conteúdo erótico, que contavam histórias de mulheres torturadas por prazer. Já Leopold Masoch era um jornalista austríaco cuja obra mais famosa fala de um personagem que atinge o orgasmo ao ser espancado e humilhado pelo amante da esposa. No entanto, nem Sade nem Masoch são os precursores do BDSM. Não há um consenso sobre a origem exata das práticas BDSM.

Tanto o Dr. Paulo Santana quanto a Dra Alessandra Diehl enfatizaram que o BDSM necessita ser seguro e consensual para ser considerado uma prática sexual variante, sendo importante diferenciar estupro e violência; afirmam que ainda existem muito poucos estudos científicos sobre este tema disponíveis atualmente, havendo necessidade de se expandir a evidência a respeito desta questão a fim de evitar patologizações desnecessárias ou desassistência para aqueles que buscam alguma forma de ajuda e/ou orientação clínica.

Residente dr. Paulo Santana juntamente com dra Alessandra Diehl.

Residente dr. Paulo Santana juntamente com dra Alessandra Diehl.