Foto: Nhia Moua

Centro Odontológico apresentou trabalhos no 36.° CIOSP

2 anos atrás - Notícias, Relacionamento Institucional

O Centro Odontológico, integrante do Centro de Atendimento Especializado do Bairral, representado pelo dentista Antônio Carlos Crivelaro, apresentou dois trabalhos na categoria “Painel”, (área de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais), no 36º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, que aconteceu de 31 de janeiro a 03 de fevereiro de 2018. Organizado pela Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD), o CIOSP é considerado o maior congresso de odontologia do mundo. A exposição se deu no dia 1.° de fevereiro, das 11h00 às 13h00 no Auditório Trabalhos Científicos, no 1.° andar do Expo Center Norte, local  onde o Congresso foi realizado. Os trabalhos expostos foram “O dentista na equipe multidisciplinar que trata paciente com Doença de Pick” e “Os efeitos do crack na cavidade oral”.

Dr. Antônio Carlos Crivelaro no 36º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo.

Dr. Antônio Carlos Crivelaro no 36º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo.

O cirurgião-dentista na equipe multidisciplinar que trata paciente com doença de Pick

Trata-se de um caso acompanhado pelo Centro Odontológico desde 2013, quando o paciente passou a ser morador na Instituição em razão da gravidade de seu quadro. Segue abaixo o resumo do trabalho.

“A Demência Frontotemporal (DFT) corresponde a 10% a 20% dos casos de demência degenerativa, acometendo córtex frontal e temporal anterior. Provoca alterações do comportamento e personalidade, desleixo na higiene geral e bucal. Ocorre mais comumente entre 45-65 anos. A Doença de Pick (DP) é classificada como uma DFT, relativamente rara e de causa incerta. O paciente possui atualmente 70 anos de idade. Na anamnese odontológica a esposa relatou que há anos o marido abandonara a higienização bucal. Clinicamente, observou-se enorme quantidade de biofilme dental e de tártaro; a consulta inicial foi feita com contenção física. Posteriormente, na raspagem dental, a partir da terceira sessão a contenção deixou de ser necessária. Embora os cuidadores tenham sido orientados sobre a importância da higienização bucal, não conseguiram realizá-la no paciente; no entanto, sentado na cadeira odontológica, ele permite que seja feita, inclusive com jato de bicarbonato e fio dental. Optou-se por, semanalmente, submetê-lo à higienização bucal no consultório dentário Observou-se que, com uma única higienização criteriosa  na semana, ainda é possível manter a doença periodontal em níveis moderados, o que justifica a presença permanente do dentista nas equipes multidisciplinares que cuidam de pacientes com demência de Pick”.

Os efeitos do crack na cavidade oral

Numa parceria com o Governo do Estado de São Paulo, o Bairral promove tratamento de dependentes químicos, a maior parte deles, de crack. Mensalmente, o Centro de Odontologia atende uma média de 90 desses pacientes em caráter de urgência. Segue abaixo o resumo do trabalho.

“O crack é uma droga em forma sólida, obtida a partir da cocaína em pó, adicionada de água e de um agente alcalinizante (hidróxido de sódio ou bicarbonato de sódio). De custo financeiro mais baixo do que a cocaína, apresenta uma grande absorção pulmonar, imediata chegada ao sistema nervoso central, maior rapidez de seus efeitos e como consequência uma provável e precoce dependência com graves alterações mentais, físicas e comportamentais. Esse artigo pretende revisar a literatura sobre a relação crack e doenças bucais. Os usuários de drogas possuem uma baixa prioridade para saúde bucal, resultando em elevado índice de cáries, abscessos, dor de dente e desenvolvimento da doença periodontal. Isto pode ocorrer devido ao efeito físico das drogas, hábitos de alimentação e ao estilo de vida por eles escolhido, não dando devida atenção à saúde bucal. A fumaça do crack entra em contato direto com a mucosa bucal, podendo provocar lesões como úlceras na boca e oro/laringofaringe devido à alta temperatura. Outras manifestações bucais são erosões no esmalte dentário, lesões necróticas da língua, epiglote e queimaduras da mucosa da laringe. Estudos descrevendo as complicações do crack na Odontologia, entretanto, são raros, um campo vasto ainda a ser pesquisado para permitir um diagnóstico precoce e tratamento das doenças bucais nessa população.”